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Depois dos mails, surgiu o Blog... Um autêntico Flop, claro
Sexta-feira, Abril 23, 2010
Um filme para um dia de chuva

Como é que nunca me ocorreu escolher E tudo o vento levou para um ciclo é algo que agora estranho. Talvez tenha estado na minha subconsciência a certeza de ser um dejá vu, mas quando a Inês Movie Planet me diz que nunca viu, começo a desejar tê-lo escolhido, porque caberia em vários ciclos. Passou há um par de semanas no segundo canal e eu fiquei a ver até às tantas da manhã, mas tive que gravar metade e ver o resto depois. Acabei por ver com a Carolina a destruir coisas aos meus pés, o que ignorei porque era preciso suspirar, inibir umas lágrimazitas e sobretudo achar a Vivien Leigh e o Clark Gable as pessoas mais lindas do cinema, de todo o sempre e para todo o sempre.
A Scarlett O´Hara não tem escrúpulos e tem muito poucos problemas éticos, conseguindo fazer assim a sua própria programação de girl power numa altura em que não era suposto associar as girls ao power. Quanto ao Clark Gable, bem, uma pessoa fica a ver o bigode com outros olhos. Muito haveria para dizer, mas não quero ser spoiler. Ainda hei-de fazer uma sessão com este filme, daquelas com que várias vezes sonhamos, uma tarde inteira de filme, com intervalos para petiscar. É sessão, portanto, para a estação das chuvas.
O Ricardo, que viu ainda uma boa hora e meia de filme comigo antes de adormecer no sofá, estava pasmado com os pormenores da produção. Assinalou a bem assinalar - que eu estava fixada nos olhos da Vivien, nos vestidos, nos chapéus, nos décors - que na altura (1939) não havia efeitos especiais por computador, logo aquelas centenas de estropiados da Guerra Civil Americana eram mesmo figurantes caracterizados um por um para parecem sanguinolentos e destruídos. Há montes de cenas em que a gente fica a pensar, cum carago, a trabalheira que isto deu.
Termino com um regresso à infância - esta foi a segunda vez que vi o E tudo o vento levou. A primeira vez que o vi tinha 11 anos e, remetida à pacatez do lar por várias razões (porque a minha mãe me deixava sair pouco e porque em Valongo também não havia assim tanto para fazer para uma pessoa de 11 anos), era assídua no clube de vídeo do prédio. Vi a versão integral em duas tardes de férias da Páscoa, se bem me lembro, com as persianas descidas por ser um momento solene.